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terça-feira, 17 de abril de 2012

A Policia indefesa

Luis Felipe Pondé, para a folha de São Paulo.


A POLÍCIA é uma das classes que sofrem maior injustiça por parte da sociedade. Lançamos sobre ela a suspeita de ser um parente próximo dos bandidos. Isso é tão errado quanto julgar negros inferiores pela cor ou gays doentes pela sua orientação sexual.
Não, não estou negando todo tipo de mazela que afeta a polícia nem fazendo apologia da repressão como pensará o caro inteligentinho de plantão. Aliás, proponho que hoje ele vá brincar no parque, leve preferivelmente um livro do fanático Foucault para a caixa de areia.
Partilho do mal-estar típico quando na presença de policiais devido ao monopólio legítimo da violência que eles possuem. Um sentimento de opressão marca nossa relação com a polícia. Mas aqui devemos ir além do senso comum.
Acompanhamos a agonia da Bahia e sua greve da Polícia Militar, que corre o risco de se alastrar por outros Estados. Sem dúvida, o governador da Bahia tem razão ao dizer que a liderança do movimento se excedeu. A polícia não pode agir dessa forma (fazer reféns, fechar o centro administrativo).
A lei diz que a PM é serviço público militar e, por isso, não pode fazer greve. O que está corretíssimo. Mas não vejo ninguém da "inteligência" ou dos setores organizados da sociedade civil se perguntar por que se reclama tanto dos maus salários dos professores (o que também é verdade) e não se reclama da mesma forma veemente dos maus salários da polícia. É como se tacitamente considerássemos a polícia menos "cidadã" do que nós outros.
Quando tem algum problema como esse da greve na Bahia, fala-se "mas o problema é que a polícia ganha mal", mas não vejo nenhum movimento de "repúdio" ao descaso com o qual se trata a classe policial entre nós. Sempre tem alguém para defender drogados, bandidos e invasores da terra alheia, mas não aparece ninguém (nem os artistas da Bahia tampouco) para defender a polícia dos maus-tratos que recebe da sociedade.
A polícia é uma função tão nobre quanto médico e professor. Policial tem mulher, marido, filho, adoece como você e eu. Não há sociedade civilizada sem a polícia. Ela guarda o sono, mantém a liberdade, assegura a Justiça dentro da lei, sustenta a democracia. Ignorante é todo aquele que pensa que a polícia seja inimiga da democracia. Na realidade, ela pode ser mais amiga da democracia do que muita gente que diz amar a democracia, mas adora uma quebradeira e uma violência demagógica.
Sei bem que os inteligentinhos que não foram brincar no parque (são uns desobedientes) vão dizer que estou fazendo uma imagem idealizada da polícia.
Não estou. Estou apenas dando uma explicação da função social da polícia na manutenção da democracia e da civilização. Pena que as ciências humanas não se ocupem da polícia como objeto do "bem". Pelo contrário, reafirmam a ignorância e o preconceito que temos contra os policiais relacionando-a apenas com "aparelhos repressivos" e não com "aparelhos constitutivos" do convívio civilizado socialmente sustentável. Há sim corrupção, mas a corrupção, além de ser um dado da natureza humana, é também fruto dos maus salários e do descaso social com relação à polícia, além da proximidade física e psicológica com o crime. Se a polícia se corrompe (privatiza sua função de manutenção da ordem via "caixinhas") e professores, não, não é porque professores são incorruptíveis, mas simplesmente porque o "produto" que a polícia entrega para a sociedade é mais concretamente e imediatamente urgente do que a educação. Com isso não estou dizendo que a educação, minha área primeira de atuação, não seja urgente, mas a falta dela demora mais a ser sentida do que a da polícia, daí "paga-se caixinha para o policial", do contrário roubam sua padaria, sua loja, sua casa, sua escola, seu filho, sua mulher, sua vida. Qual o "produto" da polícia? De novo: liberdade dentro da lei, segurança, a possibilidade de você andar na rua, trabalhar, ir ao cinema, jantar fora, dormir, não ser morto, viver em democracia, enfim, a civilização. Defendem-se drogado, bandido, criminoso. É hora de cuidarmos da nossa polícia.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Qualificação Técnica em Direito

Com o advento da “Constituição Cidadã”, notamos que a população brasileira, de um modo geral, está mais consciente dos seus direitos e deveres como cidadãos. Notamos ainda que os mecanismos de controle externo das atividades policiais, através de órgãos como o Ministério Público, estão bem mais evidentes e presentes no nosso dia-a-dia. Com isso, a visão externa da PM tem mudado de repressora para protetora, fazendo com que a população sinta-se mais a vontade para criticar ou denunciar atos que julgue impertinentes à ação policial correta.
Nos últimos anos temos visto aumentar consideravelmente o número de pessoas que adentram aos quartéis para queixarem-se de policiais que, na sua visão, tenham cometido algum excesso na prática do seu mister. Vemos que, essas pessoas, independente da classe social, estão bem informadas dos seus direitos e, muitas vezes, ao citá-los, o fazem usando termos próprios da linguagem do Direito.
Estende-se esse entendimento também para ocorrências de trânsito por exemplo, nas quais os cidadãos expõem seus argumentos contraditórios à ação policial, via de regra citando artigos do CTB ou mesmo resoluções, denotando conhecimento jurídico. Não raro observamos até questionamentos sobre a legalidade das ações policiais na área, principalmente ações de abordagem ou busca pessoal, nas quais o PM se vê instado a debater, em bases jurídicas a legitimidade de suas ações.
Paralelo a isso, vemos nos últimos anos uma proliferação muito grande de instituições de ensino superior, que oferecem cursos de graduação na área jurídica, aumentando assim o número de pessoas com o conhecimento das Leis e seus desdobramentos.
Claro que não podemos deixar de lembrar da grande acessibilidade à informação, principalmente através da internet, mas também pelos meios de comunicação de massa, o que possibilita à população o conhecimento em tempo real de fatos ou orientações, aumentando a consciência crítica do público.
Em outra vertente temos o fato de que, ao apresentarmos um conduzido à delegacia, o fazemos a um bacharel em Direito, que ao seu entendimento decide sobre o tipo de qualificação que fará, muitas vezes dando cunho de crime de menor potencial ofensivo a fatos que no nosso entendimento redundariam em flagrantes, gerando em nossos prepostos o descontentamento de ver em liberdade, em curto espaço de tempo, elementos que deveriam estar trancafiados. Todavia resume-se nossa ação ao descontentamento por não nos considerarmos em condições de confrontar a decisão da autoridade, em face de não termos um conhecimento mais aprofundado do assunto, o que gera a insegurança argumentativa. Frise-se que ao expressarmos o termo confrontar não tencionamos fomentar a discórdia institucional, mas, mostrar que podemos debater idéias que nos levem a um denominador comum, desde que estejamos em níveis semelhantes de conhecimento.
Sabemos que nos cursos de formação estão previstas matérias voltadas à preparação jurídica do policial militar, mas, a exigüidade de tempo ou mesmo a pouca qualificação dos instrutores no assunto (principalmente nos núcleos de formação), não permitem o aprofundamento adequado em assunto tão vasto e complexo.
Isto posto, não se pode conceber que o policial militar que atua na área operacional não seja um técnico em ciências jurídicas, pois, corre o risco de, em lhe faltando argumentos, ter de utilizar indevidamente a força para se fazer respeitar em situações simples ou corriqueiras. Assim sendo, propomos, a criação de um curso técnico de Direito, a ser ministrado a todos os policiais militares que atuam na área operacional, em todos os níveis hierárquicos.

quinta-feira, 17 de março de 2011

FAROESTE CABOCLO II

Por Antônio Jorge Ferreira Melo

Li recentemente sobre um diálogo entre Philip Sheridan, general do exército dos Estados Unidos que comandou uma campanha militar contra os índios, e o Chefe Tosawi, conhecido como Faca de Prata. Buscando mostrar de que lado estaria naquela guerra, o cacique comanche teria dito: “Mim Tosawi. Mim índio bom”, mas o militar teria replicado: “Os únicos índios bons que já vi estavam mortos”.
Mito ou verdade, o certo é que a frase se transformou em “O único índio bom é um índio morto”, e na forma mais lacônica “índio bom: índio morto”. O general mais tarde negou que tenha feito essa afirmação, mas a frase, atravessando a história e o oceano, sendo transmitida de geração a geração, chegou até nós, nos dias atuais, nessa guerra civil não declarada, traduzida e adaptada para: “Bandido bom é bandido morto”.
Em verdade foi lendo o artigo intitulado “Faroeste caboclo” de autoria da minha amiga Jaciara Santos que me flagrei pensando no General Sheridan, no Cacique Tosawi e nesta terra que parece produzir, todos os dias, histórias de faroeste. Tudo culpa da crise institucional em que se viu envolvida a cúpula da segurança pública da Bahia, com a morte de um investigador acusado da prática de extorsão na diligência realizada por policiais civis para efetuar a prisão em flagrante delito do colega suspeito, poucos dias depois da SSP festejar a morte de dez pessoas que integravam uma quadrilha especializada em assaltos a bancos.
Ironia das ironias – em meio à barbarização social do Brasil de nossos dias, onde a tortura e a execução sumária tornaram-se medidas de profilaxia social geralmente aceitas – policiais sendo acusados de assassinato pelo sindicato que os representa por fazerem justamente aquilo que já se tornou uma praxe neste país: matar pessoas más para defender as pessoas boas.
Não sou ingênuo, meus trinta e seis anos de policial militar não me permitem esse privilégio, muito pelo contrário; sei que, infelizmente, atirar para matar, às vezes é absolutamente necessário e, em se tratando de se defender, é plenamente justificado, inclusive por parte dos policiais. Agora, causar mortes é bom? É desejável? É motivo de comemoração?
A força deve ser usada até onde for necessário, nem mais, nem menos, mesmo sabendo perfeitamente que bandidos não têm qualquer piedade com os que colocam na mira de suas armas.
Na realidade, nenhum mal acontece sem o nosso secreto consentimento e, nessa lógica, os governantes, ao escolherem as lideranças das corporações policiais, deixam claro para nós qual será o “modus operandi” das forças de segurança durante o seu mandato.
Tais orientações podem pender para políticas “linha dura”, que desprezam o controle da polícia e agravam a violência policial, ou para políticas de segurança democráticas, que priorizam o controle do uso da força como um elemento da profissionalização da polícia. Carece optar, mas nunca dentro do espírito de que os bandidos não são humanos e por isso não merecem viver.
Radicalismo sindical à parte, necessário se faz recompor a realidade, livrando-a da mera indignação do momento, fornecendo um quadro mais amplo, e com isso permitindo um julgamento mais adequado dos fatos, diante de perguntas não (ou mal) respondidas em torno de ambos os episódios. Crises servem para detectar onde erramos e que precauções devemos tomar para evitar a repetição do erro. Sem isto, continuaremos a escolher as mortes que devem ser choradas e as que devem ser comemoradas.
Eu não consigo soltar fogos para comemorar o desfecho de operações policiais com mortes ou contá-las com o clássico fecho “e todos foram felizes para sempre”, mas, sem hipocrisia, é forçoso reconhecer que se torna cada vez mais difícil não vibrar quando criminosos ou policiais corruptos se dão mal: é tudo que a sociedade mais deseja.
Que Deus conforte os familiares dos mortos e ajude os policiais a equacionar esta complexa questão de matar pessoas más para defender as pessoas boas, pois, no nosso faroeste caboclo, mudam os atores, muda o cenário, mas a regra de funcionamento permanece: bandido bom: bandido morto.
Enfim, acabou o carnaval. Mas mesmo com os meus ouvidos zunindo com a overdose de Axé, em todos esses dias não me saiu da cabeça o clássico batidão carioca que marca a entrada dos filmes de José Padilha e seus roteiros onde o bem e o mal são destacados como polos entre o herói policial contra a banda podre da corporação, agora ampliada para o sistema de segurança pública: “Tropa de elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você!”

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A INVEJA

A inveja é um dos sentimentos mais difíceis de serem identificados e
reconhecidos. Ignoramos que não há ninguém que respire que seja tão bem resolvido na vida a ponto de nunca desejar, pelo menos um pouco, daquilo que se admira no outro. O sentimento da inveja é filho da admiração, o que não significa que não exista admiração sem inveja. Mas onde existir a inveja, com certeza, houve a admiração antes. A inveja, enquanto sentimento, não é boa nem má. É apenas o desejo de possuir ou ser o que o outro tem ou é. O que pode ser mau ou bom é o comportamento que adotarmos diante desse sentimento. Traçado o limite entre a admiração e a inveja, o que importa é cada um identificar no próprio coração qual é a reação que aflora e que poderá determinar seu comportamento.
Podemos reagir de três formas quando identificamos e aceitamos em nós mesmos o sentimento de inveja. A primeira forma é reconhecer que se quer o que o outro é ou tem, avaliando as possibilidades reais de ser ou possuir o que admiramos no próximo. Posso desejar ter um carro de luxo caro, mas quando faço as contas descubro que, com o salário que ganho, é impossível adquirir um. Diante disso, há quem abra mão de outras coisas, esforça-se mais e se sacrifique para conquistar aquele objetivo. Neste caso, o sentimento de inveja foi positivo: um estímulo para o uso dos próprios recursos no empenho de conseguir o que se deseja. A segunda reação é quando admiramos e desejamos o que outro tem, mas diante da impossibilidade de tê-lo passamos a desvalorizar e criticar aquilo que não temos condições de adquirir. No caso do carro, o invejoso diria: Este carro não presta. Consome muito combustível, sua manutenção é caríssima e ocupa muito espaço. Às vezes, esse tipo de comportamento até começa com um elogio, mas logo em seguida vem a crítica, o menosprezo. E a terceira maneira de reagir diante da inveja é quando, diante da impossibilidade de conseguir o que desejamos, adotamos um comportamento destrutivo em relação à pessoa e ou aos bens que são alvo dos nossos desejos. É o caso da pessoa, que muitas vezes, até sem perceber, assume uma postura de: Já que não posso ter, você também não terá. O lado bom da história é que podemos tirar proveito quando detectamos os sentimentos de inveja no nosso coração. Eles apontam para uma deficiência na capacidade de reconhecer o nosso próprio valor, o nosso potencial, e desenvolvê-lo de tal forma que se tornem uma fonte de contentamento e realização. Enquanto simplesmente invejamos o próximo, tiramos o foco do que somos e temos, e gastamos inutilmente uma energia que poderia ser canalizada para o desenvolvimento das nossas habilidades e talentos. Tentamos a todo custo ter a vida do outro. E nessa tentativa perdemos a oportunidade de sermos nós mesmos.
Um dos provérbios do rei Salomão já nos adverte que a inveja é a podridão dos ossos. A Bíblia tem também um bom exemplo disso. Quando o filho pródigo da parábola aquele que saiu de casa à revelia do pai e consumiu toda sua herança voltou para casa, ganhou um banquete de recepção. Seu irmão mais velho, que sempre ficou ao lado do pai, sentiu-se injustiçado afinal, embora tivesse permanecido sempre em casa, seguindo fielmente as ordens paternas, nunca tivera uma festa daquelas. A resposta do pai esclarece que o filho mais velho é que não sabia desfrutar do que tinha: Meu filho, tudo que é meu é seu. O que na realidade aconteceu foi que o irmão mais velho não conseguiu tomar posse do que tinha conquistado por direito. E este é o pior castigo para quem é dominado pelo sentimento de inveja ele não usa e nem desfruta do que tem por direito, e também não consegue festejar e se alegrar com o que o outro tem. E ainda coloca a culpa em terceiros. Não sabemos qual foi a resposta deste jovem para o pai. Seria muito bom se ele tivesse reconhecido que tinha inveja do presente dado ao irmão e dificuldade em usufruir o que já lhe pertencia. É claro que o pai desta parábola contada por Jesus representa Deus, que sempre nos acolhe e nos restaura diante de nosso arrependimento.
Não há duas pessoas iguais no mundo. Cada um tem personalidade e habilidades que são únicas, mas que esperam ser reconhecidas e desenvolvidas. O ideal seria que o jeito de ser de cada um, bem como suas habilidades, recebessem um olhar de aprovação desde o nascimento. É assim que aprendemos desde cedo a nos alegrar com o que somos. Mas nem sempre é isso que acontece. No desejo de agradar, deixamos de lado o que naturalmente somos e nos esforçamos para sermos iguais àqueles que são apontados como modelos, seja pelo que são ou pelo que têm. A solução, depois do estrago feito, é cada um se reencontrar no próprio espaço, onde possa ser ele mesmo, com todas suas características e talentos, tanto os natos como os aprendidos.
Sempre é possível resgatar quem de verdade se é. E esta é uma busca que o indivíduo deve fazer para dentro de si mesmo, para, a partir daí, se doar e ser um caminho de bondade e amor para com aqueles que vivem à sua volta. Assim, faremos para nós mesmos nossas próprias festas e teremos recursos para nos alegrarmos e celebrarmos a alegria dos outros.

Um grande abraço,
Nelson

terça-feira, 20 de julho de 2010

O PASSE - Alguns esclarecimentos

1. Introdução:
Conforme encontramos em "A Gênese", item 17, "Os fluidos não possuem qualidades do seu próprio gênoro, mas as que adquirem no meio onde se elaboram; modificam-se pelos eflúvios desse meio, como o ar pelas exalações, a água pelos sais das camadas que atravessa. Conforme as circunstâncias, suas qualidades são, como as da água e do ar, temporárias ou permanentes, o que os torna muito especialmente apropriados à produção de tais ou tais efeitos..."
O Espírito André Luiz, informando sobre o passe, do ponto de vista da medicina humana, declara, em "Evolução em Dois Mundos", capítulo 15:
"Pelo passe magnético, no entanto, notadamente aquele que se baseia no divino manancial da prece, a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem, para que essa vontade, novamente ajustada à confiança, magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço, a fim de que o Estado Orgânico, nessa ou naquela contingência se recomponha para o equilíbrio indispensável".
Pouco antes, dissera ele que:
"Toda queda moral, nos seres responsáveis, opera certa lesão no hemisfério somático ou veiculo carnal, provocando determinada causa de sofrimento".
Retomando ao tema, no livro "Mecanismo da Mediunidade", observa ainda, esse mesmo autor espiritual, que "o passe é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe, desde as crianças tenras aos pacientes em posição avançada na experiência física, reconhecendo-se, no entanto, ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária, por desajustes complicados do cérebro. Esclarecemos, porém, que, em toda situação e em qualquer tempo, cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida, porquanto, através da oração, contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos misteres da Providencia Divina, a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem."
Observamos que os textos aqui reproduzidos referem-se especificamente ao passe curador, aplicado em seres encarnados. Como sabemos, porém, o passe é utilizado para magnetizar, provocando, nesse caso, o desdobramento do perispírito, e até o acesso à memória integral e conseqüente conhecimento de vidas anteriores, segundo experiências de Albert de Rochas, reiteradas posteriormente por vários pesquisadores.
A literatura sobre o passe magnético é vasta, mesmo fora do âmbito estritamente doutrinário do Espiritismo, de vez que o magnetismo foi amplamente cultivado na Europa, no século passado, principalmente na França. (texto extraído do Livro Diálogo com as Sombras de Hermínio C. Miranda, págs. 246 e 247).
2. Objetivos do Passe:
1 – Conhecer, dominar e exercitar as técnicas adequadas de transmissão do passe, que devem basear-se na simplicidade, na discrição e na ética cristã.
2 – Associar corretamente as bases do fenômeno do passe com as unidades anteriores (concentração, prece e irradiação), para melhor sentir essa transfusão de energias fluídicas vitais (psíquicas) e/ou espirituais, através da imposição de mãos que facilite o fluxo e a transmissão dessas energias.
3 – Compreender as necessidades das condições de ambiente, local e recinto adequado e situações favoráveis ao exercício e aplicação do passe.
4 – Observar com rigor as condições morais, físicas e espirituais e de conhecimento doutrinário que o passista deve possuir, para desempenhar a atividade do passe com eficiência e seriedade.
5 – Verificar, com especial cuidado, a forma correta e simples da aplicação do passe, evitando o formalismo e as atitudes constrangedoras ou práticas esdrúxulas que fogem à discrição doutrinária gerando condicionamentos e interpretações errôneas de sua aplicação.
6 – Reconhecer e exercitar disciplinadamente a aplicação do passe, desapegado da mediunização ostensiva, evitando o aconselhamento ao paciente (que deve ser feito em trabalho especializado), ciente de que tal aplicação deve ser silenciosa, com unção cristã, associando ao máximo possível as suas energias às do mundo espiritual, para maior eficiência no socorro prestado (vide Livro "Nos Domínios da Mediunidade", Cap. 17).
7 – Reconhecer que é dispensável o contato físico na aplicação do passe, o qual pode gerar barreiras e constrangimento, atendendo à ética e à simplicidade doutrinarias, já que a energia que se transmite é de natureza fluídica e, portanto, se faz através das auras (passista-paciente) e não pelo contacto da epiderme, consoante se pode demonstrar atualmente por efeitos registrados em aparelhos (máquina Kirlian). Ocorre um fluxo de energias como uma ponte de ligação de forças passista-paciente.
8 – Conscientizar-se de que na tarefa de auxilio pelo passe o médium não deve expor-se, baseado apenas na boa vontade, mas sim se precaver a beneficio da própria eficiência do atendimento, observando as condições necessárias à sua aplicação (ambiente, local, sustentação, etc), procurando desempenhar sua função em Centro Espírita, evitando instituir atendimento em casa, exceto no Culto do Evangelho quando perceber sua necessidade ou atender alguém enfermo em sua residência em situação de emergência, tomando as precauções necessárias. Excepcionalmente, atender os necessitados que por motivos de doenças, idade avançada, acidentes, etc, não podem locomover-se até o Centro Espírita, tomando para isso as medidas de precauções necessárias para fazê-lo em equipe ou reunindo companheiros seguros que possam auxiliar em tal tarefa.
09 – Compreender e distinguir em que situações o resultado do passe pode ser benéfico, maléfico ou nulo, preparando-se convenientemente para torná-lo sempre benéfico. O Centro Espírita deve possuir serviço de passe em trabalho destinado ao publico com elucidação evangélico-doutrinária e orientação dos que buscam o passe quanto às atitudes que devem observar para melhor receberem os seus benefícios. A aplicação do passe deve ser feita em sala especial do Centro Espírita, atendendo as características de Câmara de Passe. (Extraído do Manual de Aplicação do COEM pgs. 99,100 e 101).
3. Passe – Forma de Aplicação
Antes de quaisquer considerações a respeito das formas de aplicação do passe, convém lembrar que o passista deve, em primeiro lugar, preparar-se convenientemente, através da elevação espiritual, por meio de preces, meditação, leituras adequadas, etc, em segundo lugar, deve encarar a transmissão do passe como um ato eminentemente fraternal, doando o que de melhor tenha em sentimentos e vibrações.
A transmissão do passe se faz pela vontade que dirige os fluídos para atingir os fins desejados. Daí, concluir-se que antes de quaisquer posições, movimentos ou aparatos exteriores, a disposição mental de quem aplica e de quem recebe o passe, é mais importante.
Deve-se, na transmissão do passe, evitar condicionamentos que se tornaram usuais, mas que unicamente desvirtuam a boa prática espírita.
Destacamos, a seguir, aquilo que o conhecimento de mecânica dos fluídos já nos fez concluir:
1) Não há necessidade do toque, de forma alguma ou a qualquer pretexto, no paciente, para que a transmissão do fluído ocorra. A transmissão se dá de aura para aura. O encostar de mãos em quem recebe o passe causa reações contrarias à boa recepção dos fluidos e, mesmo, cria situações embaraçosas que convém prevenir.
2) A imposição de mãos, como o fez Jesus, é o exemplo correto de transmitir o passe.
3) Os movimentos que gradativamente foram sendo incorporados à forma de aplicação do passe criaram verdadeiro folclore quanto a esta prática espírita, desfigurando a verdadeira técnica. Os passistas passaram a se preocupar mais com os movimentos que deveriam realizar do que com o dirigir seus pensamentos para movimentar os fluidos.
4) Não há posição convencionada para que o beneficiado deva postar-se para que haja a recepção dos fluídos (pernas descruzadas, mãos em concha voltadas para o alto, etc). O importante é a disposição mental para captar os fluidos que lhe são transmitidos e não a posição do corpo.
5) O médium passista transmite o fluido, sem a necessidade de incorporação de um espírito para realizar a tarefa. Daí decorre que o passe deve ser silencioso, discreto, sem o balbuciar de preces, a repetição de "chavões" ou orientações à guisa de palavras sacramentais.
6) O passe deve ser realizado em câmara para isso destinada, evitando-se o inconveniente de aplicá-lo em público, porque, além de perder em grande parte seu potencial pela vã curiosidade dos presentes e pela falta de harmonização do ambiente, foge também à ética e à discrição cristãs. A câmara de passes fica constantemente saturada de elementos fluídico-espirituais, permitindo um melhor atendimento aos necessitados e eliminando fatores de dispersão de fluídos que geralmente ocorre no "passe em público".
7) Devem-se evitar os condicionamentos desagradáveis, tais como: estalidos de dedos, palmas, esfregar as mãos, respiração ofegante, sopros, etc.
*Antigamente, quando se acreditava que o passe era simplesmente transmissão magnética, criaram-se certas crendices que o estudo da transmissão fluídica desfez, tais como: necessidade de darem-se as mãos para que a "corrente" se estabelecesse; alternância dos sexos para que o passe ocorresse; obrigação do passista de livrar-se de objetos metálicos para não "quebrar a corrente", etc.
9) Estamos mergulhados num "mar imenso de fluidos" e o médium, à medida que dá o passe, carrega-se automaticamente de fluidos salutares. Portanto, nada mais é que simples condicionamento a necessidade que certos médiuns passistas apresentam de receberem passes de outros médiuns ao final do trabalho, afirmando-se desvitalizados, não procede. Poderá haver cansaço físico, mas nunca desgaste fluídico, se o trabalho for bem orientado.
10) O passe deve ser dado em ambiente adequado, no Centro Espírita. Evitar o passe a domicílio para não favorecer o comodismo e o falso escrúpulo dos que não querem ser vistos numa casa espírita porque isso abalaria sua "posição social". Somente em casos de doença grave ou impossibilidade total de comparecimento ao Centro é que o passe deverá ser dado, "por uma pequena equipe", na residência do necessitado, enquanto perdurar o impedimento que o mantém sem condições de comparecer à Casa Espírita.
11) A transmissão do fluído deve ser feita de pessoa a pessoa, devendo-se evitar práticas esdrúxulas de dar-se passes em roupas, toalhas e objetos pertencentes ao paciente, bem como não há necessidade alguma de levar-se a sua fotografia para que seja atendido à distância.
12) Não existe um número padronizado de passes que o médium poderá dar, acima do qual ele estará prejudicando-se. A quantidade de passes transmitidos poderá levar o médium a um cansaço físico, mas, nunca à exaustão fluídica, se o trabalho for bem orientado, pois a reposição de fluidos se dá automaticamente à medida que o médium vai atendendo os que penetram a câmara de passes.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O que é ISLAMISMO?

RESPOSTA:
Sabe-se que Islamismo é a religião pregada (ou fundada) pelo Profeta Maomé, nascido no ano 571 D.C. em Makkah (MECA), na península arábica, e cujo Livro Sagrado é o ALCORÃO.
Esta breve definição, embora razoável, não é, entretanto, completa! Porque Islam é muito mais! E antes de discorrermos, queremos dizer que: ISLAMISMO, ISLAM, ISLÃ, ISLÃO, RELIGIÃO MUÇULMANA, todos estes termos querem dizer - e significam - a mesma coisa. Igualmente os adjetivos: muçulmano, islâmico, islamítico, islamita, todos eles têm o mesmo significado.
Nós, vamos adotar, neste breve relato, o seguinte:
- ISLAM ou ISLAMISMO, o substantivo que designa a religião muçulmana.
- MUÇULMANO, o adjetivo que qualifica o seguidor do islamismo (muçulmana no feminino).
- ISLÂMICO (ISLÂMICA) como adjetivo para designar coisas como: livro islâmico, país islâmico, terra islâmica, etc...
O Alcorão -que se constitui na base primeira desta religião, é considerado por seus seguidores, a Palavra de Deus - ao consultá-lo sobre o significado (e o conceito) - do ISLAM, ficamos extraordinariamente admirados quanto à extensão, à abrangência e o ecumenismo do mesmo. Repetimos: ninguém poderá conhecer verdadeiramente o ISLAM, sem conhecer o Alcorão. Na Surata 3, versículo 64, Deus diz:
"Dize (ó Muhammad): Ó adeptos do Livro, vinde para uma palavra comum entre nós e vós, que não adoremos (tanto nós quanto vós) senão a Deus, e nada associemos a Ele, e que não tomemos uns aos outros por senhores (em vez de Deus). Em caso de recusarem, dizei: Testificai que somos muçulmanos."
Alcorão 3:64 9
Eis, portanto, a amplitude e a abrangência do ISLAMISMO, que é a união de todas as mensagens divinas na fé no mesmo Deus único e Uno, e na dedicação da adoração e dos cultos a ELE como ÚNICO SENHOR.
Isto é ISLAMISMO!
Em outro versículo Corânico, o 67 da Surata 3, explicita o conceito prático do ISLAM:
"Quem teria melhor religião do que aquele que entrega seu rosto (rumo) a Deus, e é sempre caridoso, e segue a crença monoteísta de Abraão? Deus elegeu a Abraão para ser seu íntimo amigo."
Alcorão 3:67 10
---Foi chamado (Abraão) amigo de Deus.--
Tiago 2:23
Vemos, claramente, que ISLAMISMO e RELIGIÃO são sinônimos no Alcorão Sagrado, e sua base é a fé em Deus único e Uno, que orienta o crente no islam para ser caridoso e caminhar rumo a Deus!
Islamismo, então, é: Fé em Deus Uno + Caridade + Caminhar (pela vida) rumo a Deus.
Outra surpresa admirável que nos revelou a leitura do Sagrado Alcorão, foi o termo ISLAMISMO designando todas as manifestações religiosas anteriores a Maomé (Muhammad S.A.A.W.S.) Exemplos:
1o - Noé foi muçulmano, conforme o diz o Alcorão:
"Se recusardes (meu apêlo à fé, diz Noé), não vos pedirei nenhuma recompensa, porque a espero somente de Deus, e fui ordenado ser-Lhe muçulmano."
Alcorão 10:72 11
2o - Abraão foi muçulmano, de acordo com o Alcorão:
"Abraão não era judeu nem cristão, e sim monoteísta muçulmano."
Alcorão 3:67 12
3o - Moisés, também, foi muçulmano, de acordo com o Alcorão:
"Moisés falou-lhes: Ó povo meu, se acreditastes realmente em Deus, ponde vossa confiança n'Ele, se sois muçulmanos."
Alcorão 10:84 13
4o - E, finalmente, os discípulos de Jesus, Filho de Maria, também eram muçulmanos, de acordo com o que o Alcorão registra:
"Quando Jesus pressentiu a incredulidade deles (dos israelitas), indagou: Quem me apóia em Deus? Os discípulos disseram-lhe: Nós somos teus apoiadores em Deus, cremos em Deus; testifique tu que somos muçulmanos."
Alcorão 3:5214.
O Sagrado Alcorão registra, igualmente, que todos os profetas eram muçulmanos: 10:71,72 / 2:130,131,132 / 27:44 / 5:44 / 3:52,53 / 5:111 12:128 22:78 / 31:22.
E seguindo na nossa leitura do Alcorão Sagrado, mais e mais surpresas fomos encontrando, como a que designa: LIVRO DE DEUS, todas as revelações recebidas pelos Enviados de Deus. Exemplos:
"Enviamos (Deus quem enviou) Nossos Apóstolos com os esclarecimentos, e lhes revelamos o Livro e a Balança... E enviamos, também, Noé e Abraão, e fizemos com que a Profecia e o Livro estejam confiados à descendência de ambos..."
Alcorão 57:25,26 15
Assim, vemos que Deus chama de: LIVRO, todas as Mensagens que ELE revelou aos Profetas-Apóstolos, e mais especificamente: Deus iguala o Alcorão - que o designa como Livro - à Torá e ao Evangelho.
"Deus revelou a ti (ó Muhammad) o Livro (Alcorão) pela verdade, confirmando a Revelação existente, e (Deus) revelou a Torá e o Evangelho, anteriormente, para guiarem os homens. E Deus revelou o Discernimento."
Alcorão 3:3,4 16
Portanto, na Religião Muçulmana, a RELIGIOSIDADE é uma manifestação ÚNICA revelada pelo mesmo e único Deus, em diferentes épocas, a homens ESPECIAIS chamados de: Profetas-Apóstolos (ou Mensageiros de Deus, ou Enviados de Deus), para guiarem os homens no caminho certo que os leva ao verdadeiro Deus-Criador. Esses Enviados de Deus pregaram sempre as mesmas verdades eternas que Deus lhes revelou:
"Prescreveu -vos (Deus prescreveu) como religião, o mesmo que recomendou a Noé e o que revelamos a ti (ó Muhammad) e o que recomendamos a Abraão, e a Moisés e a Jesus. (Recomendamos a todos) Que instituísses a religião e não vos dividisses nela. Os idólatras ressentiram-se sobre o que vós os convoqueis para ele."
Alcorão 42:1317
Indica este versículo que TUDO que Deus preceituou para os muçulmanos é, no geral, o mesmo que foi preceituado aos Profetas: Que estabeleçam a religião do Deus único e Uno. Deste modo, sente o muçulmano que é a continuação desses homens excelsos, e no caminho deles pauta, e está, portanto, inserido nessa caravana abençoada por Deus, desde o alvorecer da história humana. Igualmente indica, este versículo corânico, que a paz profunda deve imperar entre todos aqueles que acreditam na religião única de Deus. Pois se o que Deus preceituou - como religião - para os seguidores de Maomé (Muhammad S.A.A.W.S.) é o mesmo que Deus preceituou para Noé, Abraão, Moisés, Jesus e outros.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Após longa ausência, desculpamo-nos por isso, iniciamos agora postagens com o título "O QUE È...".

Após longa ausência, desculpamo-nos por isso, iniciamos agora postagens com o título "O QUE È...". Assim os leitores poderão fazer perguntas sobre os mais diversos temas ligados ao Espiritismo e a outras religiões. Esperamos que gostem e participem com suas perguntas. Saúde e paz a todos!!!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

- PAI, TÔ COM FOME!!!

Ricardinho não agüentou o cheiro bom do pão e falou:
- Pai, tô com fome!!!
O pai, Agenor , sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência...
- Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!!!
Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente...
Ao entrar dirige-se a um homem no balcão:
- Meu senhor, estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!!
Amaro , o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho...
Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo...
Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua...
Para Agenor , uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá...
Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada...
A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades...
Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar:
- Ô Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?!?!
Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer...
Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho...
Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas...
Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório...
Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada...
Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria, e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias...
Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho...
Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso...
Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores...
No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho...
Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia porque estava ajudando...
Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele chamava-o para ajudar aquela pessoa...
E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres...
Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar....
Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta...
Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula...
Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros , advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro...
Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o 'antigo funcionário' tão elegante em seu primeiro terno...
Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida diariamente na hora do almoço...
Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho , o agora nutricionista Ricardo Baptista...
Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um...
Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que a mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido...
Ricardinho , o filho mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho', que seu pai fundou com tanto carinho:
'Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço. Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!!!'
(História verídica)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um ferimento nem sempre significa morte!

Como já se sabe, a atividade policial é perigosa por natureza. E como a Lei de Murphy é freqüentemente uma companheira do trabalho policial, você precisa se preparar para as eventualidades, inclusive a de ser ferido num tiroteio. Então, se algum dia você for ferido, as seguintes dicas podem ajudar:
1) Termine o confronto! Isso parece óbvio, mas muitos policiais param de lutar simplesmente porque acham que foram feridos. Ser atingido é sempre uma possibilidade, mas essa não é a hora para você desistir. Confirme se o criminoso não é mais uma ameaça. Se ele fugiu, fique onde está. Se ele caiu, observe-o (com sua arma apontada para ele). Se ele ainda se move e representa um ameaça, continue atirando – faça na medida do necessário até que a ameaça seja interrompida.
2) Fique alerta! Criminosos comumente atacam em bando, por isso fique atento à presença de comparsas. Verifique sua arma – sane as panes e faça a recarga por precaução. Em situações de estresse, ocorre a diminuição da irrigação sanguínea originando a hipoxia retiniana (deficiência de oxigênio nos tecidos orgânicos), o que leva ao encurtamento do campo visual de fora para dentro (perda da visão periférica). Isso é Visão em Túnel. Olhe à sua volta, escaneando o ambiente, para compensar a diminuição do seu campo visual.
3) Proteja-se! Vá para uma posição barricada se você não fez isso antes. Não coldreie sua arma, apenas proteja-se. Posições protegidas funcionam como um grande colete balístico capaz de oferecer proteção para todo o corpo.
4) Peça ajuda! Respire fundo algumas vezes, chame pelo rádio HT ou telefone celular de modo simples e direto. Diga seu posto, nome, o local onde está e que foi ferido. Esqueça os códigos e os protocolos de comunicação (código Q, por exemplo), apenas forneça informações vitais de maneira clara. Não perca tempo falando com pessoas que não podem ajudar, ligue somente para o serviço de atendimento de urgência. Confirme se o atendente entendeu as informações. A ajuda já está a caminho, então esqueça o HT e volte sua atenção para a ocorrência.
5) Avalie seu estado! Se você estiver usando um colete balístico, os impactos nele provocam muita dor, mas são apenas hematomas. Sem o colete, os ferimentos são mais sérios – ache-os rápido. Ferimentos nos músculos podem não doer tanto e, às vezes, não sangram muito devido à vaso constrição provocada pelo estresse. Se o ferimento doer demais, provavelmente algum osso foi quebrado – mas se calcificarão. Ferimentos na cabeça sangram em abundância, mas se você está consciente o suficiente para notar o sangramento, então o ferimento talvez não seja uma ameaça imediata. Contudo, o impacto grave de um projétil na cabeça deixará você inconsciente.
6) Faça os primeiros socorros você mesmo! À medida que você se acalma, o sangramento tende a aumentar, assim pressione o ferimento o máximo que puder. Utilize suas mãos, sua camisa ou um lenço – improvise. Você tem aproximadamente cinco litros de sangue no seu corpo. Você pode perder cerca de 20% disso e ainda permanecer consciente. Isso dá quase um litro de sangue, então derrame o conteúdo de uma embalagem Tetra Pak para você ter uma idéia do tamanho da poça que isso representa. Portanto, se você não sangrou esse tanto, você ainda está bem. Caso contrário adicione mais compressas ao ferimento e comprima bem.
7) Realize a respiração tática ou de combate! Inspire lenta e profundamente pelo nariz, e expire lenta e profundamente pela boca. Isso vai oxigenar seu cérebro e dificultar o desmaio. Continue alerta! Peça ajuda novamente, e forneça dados complementares sobre sua localização.
8) Acredite que o socorro está chegando e não desista! Quando um policial é ferido, todos os outros policiais correm até o local do incidente. Primeiro para prestar auxílio ao colega baleado, e segundo para iniciar a perseguição. As unidades de resgate provavelmente estarão no local em poucos minutos. Por isso, enquanto aguarda, lembre-se que se você ainda estiver vivo quando o resgate chegar, suas chances de sobrevivência são de aproximadamente 90%. Mantenha a respiração tática para “normalizar” os batimentos cardíacos e o nível de estresse. Para manter suas esperanças e seu moral elevado, converse pelo rádio com outro colega.
Compreendendo essas dicas e as revendo periodicamente, você pode lutar contra o medo e o estresse aumentando sua probabilidade de sobreviver à situação de conflito na qual você foi ferido.
Este é um procedimento que você deve treinar por conta própria, porque até agora nenhum treinamento de tiro inclui instruções para quando se leva um tiro ou se perde um confronto, e infelizmente muitos policiais tendem a pensar que isso nunca vai acontecer. Mas isso acontece e muito! Por isso, treine com sua arma, estude ou faça um curso de primeiros socorros porque isso pode e irá ajudá-lo um dia.

Humberto Wendling é Agente de Polícia Federal lotado na Delegacia de Polícia Federal em Uberlândia/MG e Instrutor de Armamento e Tiro.

domingo, 29 de novembro de 2009

Células tronco e o espiritismo

Células Tronco
O que é célula-tronco?
É um tipo de célula que pode se diferenciar e constituir diferentes tecidos no organismo. Esta é uma capacidade especial, porque as demais células geralmente só podem fazer parte de um tecido específico (por exemplo: células da pele só podem constituir a pele). Outra capacidade especial das células-tronco é a auto-replicação, ou seja, elas podem gerar cópias idênticas de si mesmo.
"A clonagem ("broto", em grego) é um método de reprodução normal para muitos seres, mas não para o resto do organismo. Por que essa diferença? As bactérias, por exemplo, que têm uma célula só, se reproduzem por meio da clonagem. Toda bactéria nasce como um clone, ou seja, as filhas são cópias genéticas perfeitas das mães, que simplesmente duplicam o seu "corpo" e depois se dividem em duas.
No resto dos organismos nenhuma célula do corpo é capaz de gerar um novo ser. A reprodução tem que ser feita por meio da fecundação, o que exige células muito especiais - o óvulo e o espermatozóide. Inexistentes nos microorganismos ou nas plantas muito primitivas, essa dupla se distingue por ter apenas um conjunto de genes, enquanto todas as outras células carregam dois conjuntos iguais. Durante a fecundação, o óvulo e o espermatozóide se unem e somam os seus genes, de modo que a célula resultante passa a ter dois conjuntos de DNA. Daí para a frente, ela se multiplica, dividindo-se sucessivamente, e se transforma num embrião.
Fábricas de órgãos – formação do embrião.
A – O embrião no início é só uma célula - o ovo, união do óvulo com o espermatozóide – que lentamente se multiplica.
B – Por volta dos quatro dias, o embrião tem cerca de 40 células formando duas esferas ocas, uma dentro da outra. A de fora vai gerar a placenta e a interna, o bebê.
C – A bola interna, nessa fase, é feita de células-tronco. Extraídas do embrião, podem ser transformadas em qualquer órgão do corpo, com a mesma identidade genética do embrião.
Diferença entre clonagem terapêutica e clonagem reprodutiva
A clonagem reprodutiva humana é a técnica pela qual pretende-se fazer a cópia de um indivíduo. Nessa técnica transfere-se o núcleo, que pode ser uma célula de um adulto ou de um embrião, para um óvulo sem núcleo. Se o óvulo com esse novo núcleo começasse a se dividir, fosse transferido para um útero humano e se desenvolvesse, ter-se-ia uma cópia da pessoa de quem foi retirado o núcleo da célula.
Diferença entre os dois procedimentos
Na transferência de núcleos para fins terapêuticos as células são multiplicadas em laboratório para formar tecidos;
Na clonagem reprodutiva humana há necessidade da inserção em um útero humano.
Utilidades das células-tronco
As células-tronco podem se transformar em qualquer parte do corpo. Doenças causadas por problemas celulares podem ser curadas por injeções de células-tronco, que passam a fazer a função de suas colegas defeituosas. Tratamentos possíveis:
Doenças neuro-degenerativas – novos neurônios;
Mal de Huntington – correção de neurônios;
Mal de Alzheimer – correção de neurônios;
Mal de Parkinson – correção de neurônios;
Paralisia – corrigem-se os danos causados à espinha dorsal;
Enfarte – recuperação dos tecidos cardíacos;
Cirrose e Hepatite – recuperação de células do fígado;
Diabetes – células novas para a produção de insulina;
Queimadura – regeneração de tecidos da pele;
Artrite – regeneração de embriões;
Osseoartrite – restaura a ligação de ossos e tendões;
Transplantes – células-tronco geram qualquer órgão.
Como podemos ver, a aplicação das células-tronco vai revolucionar a medicina e a biologia. A sua aplicação, portanto, é motivo de muitas discussões, criando questões filosóficas, religiosas e morais levantadas pela ciência e a medicina.
A prática da clonagem-terapeutica suscita grandes dúvidas que exigem, por parte dos órgãos responsáveis estudo, bom senso e ética, para que não se legalize um comportamento que contrarie os interesses humanos e, por outro lado, abra um campo enorme à exploração maldosa.
Alguns métodos de coleta de células-tronco não geram polêmicas ético-religiosas, como a coleta pelo cordão umbilical, que permanece na placenta após o nascimento do bebê, ou da medula óssea do próprio paciente. A polêmica surge quando se trata da retirada de células-tronco dos embriões, porque isso implica na destruição deles.
1. O Espiritismo é a favor ou contra as experiências com células tronco embrionárias?
A evolução material e intelectual do ser humano é uma condição necessária e imprescindível, cujo sucesso está subordinado ao seu esforço na busca de conhecimentos e experiências.
Desde o tempo das cavernas até a chegada do homem à lua imenso progresso ocorreu, sofrendo no entanto pequeno interregno na idade média, período de trevas e obscurantismo, quando a religião, conduzida por uma fé cega, cerceou a liberdade de expressão.
O progresso trouxe imenso benefícios à humanidade: na área da saúde, transportes, comércio, assistência social, tecnologia, etc.
O Espiritismo enfatiza a necessidade do progresso
Na questão da ciência, encontramos em "A Gênese", Cap. I, n.º 55 a seguinte afirmação: "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará."
Na questão da filosofia, em "O Livro dos Espíritos", Cap. VIII, Da Lei do Progresso, item 778, encontramos o seguinte: "... O homem deve progredir sem cessar... Se ele progride é que Deus assim o quer.; ... .
Na questão n.º 8, de "O Livro dos Espíritos", encontramos a afirmação de Espíritos Superiores de que "o acaso não existe".
Diante do exposto, por uma questão de coerência com a Doutrina, não podemos repudiar o avanço da ciência. Por outro lado, em respeito aos princípios morais, não podemos admitir violações às Leis Divinas. Cabe-nos, portanto, analisar cada caso, tendo como parâmetro as Leis de Deus.
Células-tronco embrionárias
O Espiritismo concorda, em parte, com a utilização de células-tronco embrionárias, tendo em vista o seguinte:
Não concorda: (só a Deus compete tirar a vida) porque após a retirada das células o embrião será sacrificado, configurando-se o aborto. Por outro lado, para obter, estudar e utilizar as células-tronco, é preciso tirá-las de embriões muito jovens; de preferência logo após quatro dias de idade, quando o futuro bebê ainda é apenas uma esfera invisível a olho nu, formada por algo entre 50 e 300 células.
Concorda: Há situações em que o embrião não vingará, ou seja, por variadas razões o espírito não reencarnará naquele corpo ou não se manterá nele, conforme orientação constante de "O Livro dos Espíritos", questão 355: "Há crianças que desde o ventre da mãe não têm possibilidade de viver... .e, questão 356: "crianças natimortas".
Concorda com a utilização da célula-tronco da própria pessoa ( auto emprego ) cuja rejeição é zero. Seriam células- tronco da medula óssea ou do cordão umbilical.
Pesquisas feitas nos EUA mostram que religiosos e oponentes do aborto concordam com que as pesquisas continuem, porque alegam que há uma diferença muito grande entre a clonagem reprodutiva, realizada com o objetivo de gerar uma criança, e a clonagem terapêutica, empregada na produção de células-tronco.
Para o Espiritismo, a preocupação reside no produto final do processo, ou seja, o embrião, que poderá gerar um novo ser.
2. No momento da fecundação, há um espírito que se liga ao embrião, mesmo tendo consciência de que este embrião será destruído?
Quando o Espírito tem de reencarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que é a expansão de seu perispírito, o liga ao germe que o atrai por uma força irresistível (magnetismo) desde o momento da concepção. (ver "A Gênese", cap. XI, item 18).
No "O Livro dos Espíritos", Questão 344, encontramos a seguinte afirmação: "A união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para tomar determinado corpo, a ele se liga por um laço fluídico..."
Cada espírito tem o corpo que merece. Antes da reencarnação é realizado pelos "Espíritos Construtores" um estudo prévio da situação cármica do reencarnante, a fim de se ajustar a uma programação referente ao organismo físico que o reencarnante receberá. ("Perispírito"; Reencarnação, pg.341; "Missionários da Luz", André Luiz, Caps. 13 e 14).
Em "O Livro dos Espíritos", questão 348, Allan Kardec nos ensina que o Espírito reencarnante tem conhecimento, às vezes, do destino de seu corpo físico.
3. No caso de o espírito se ligar a este embrião, esta "fecundação" (*) feita em tubos difere de um útero para o espírito?
Ocorrendo a fusão (núcleo da célula mais óvulo) com sucesso, começa a se formar um embrião, cujo desenvolvimento será formalizado pelo perispírito reencarnante (ver questão n.º 344, de "O Livro dos Espíritos). Neste momento o embrião seria implantado em um útero de uma pessoa, o que nos permite afirmar que o Espírito não sentiria qualquer diferença
Vejamos a seqüência abaixo:
 Da pessoa a ser copiada, retira-se uma célula comum, cujo núcleo é extraído;
 O núcleo da célula é enxertado em um óvulo de outra pessoa;
 Para unir o óvulo ao núcleo inserido, é usada uma descarga elétrica. Com essa fusão começa a se formar um embrião; (a partir deste momento seriam utilizadas as células-tronco).
 O embrião é implantado no útero de uma outra pessoa.
 Nascerá um indivíduo geneticamente igual à pessoa da qual foi extraído o núcleo.
Devemos ter em vista, também, que há casos em que ocorre a fecundação mas não há um espírito destinado àquele corpo, cujo feto será um natimorto (L.E., questão 356). Poderá ocorrer, também, que o espírito reencarnante, que inicia o processo de ligação perispiritual ao corpo físico, não tem ainda consciência da sua situação (L.E., questão 351).
(*) O termo fecundação não é apropriado para este caso, porque fecundação se refere à união de duas células sexuais (espermatozóide mais óvulo).
Fontes de consulta:
Clone, Gina Kolata, Ed. Campus, 1998, RJ.;
"A Gênese", Allan Kardec, Cap. XI, item 18;
"O Livro dos Espíritos", Allan Kardec, Lv. II, Cap. VII, item II;
sites: www.espirito.com.br; www.cade.com.br;
www.cryopraxis.com.br/celulas.htm.
Artigos de revistas e jornais.
Organizador: Anízio F. Moraes – "Centro Espírita Ismael"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O HOMEM DE BEM

O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.
Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas.
Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.
Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.
Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.
O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.
Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.
Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.
Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.
É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado."
Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.
Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.
Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros.
Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.
Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões.
Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.
O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente. (Cap. XVII, nº 9.) Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus.
Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz.

(O Evangelho segundo o Espiritismo, XVII - Sede perfeitos)